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domingo, 30 de setembro de 2007

Gêneros de Pintura: Auto-Retrato


Olá, pessoal!

Continuando a falar sobre Gêneros de Pintura (depois de Natureza-Morta), hoje vamos ver um pouquinho da trajetória do Auto-Retrato, um dos meus gêneros preferidos.

Numa explicação bem objetiva, Auto-Retrato é uma forma de pintura onde o modelo retratado é o próprio artista. E é um gênero bastante difundido no campo das Artes Plásticas.

Talvez porque o ser humano sempre foi "chegado" em retratar a sua própria imagem. Principalmente a partir do Renascimento, quando o Homem passa a ser o "Centro do Universo", momento em que os artistas utilizam o Retrato (que veremos em breve) para o registro de pessoas e famílias nobres e burguesas e o Auto-Retrato, que servia, entre outras coisas, para deixar a própria imagem do artista eternizada, além de expressar o que sentiam, suas emoções e pensamentos.

Mas, reparem que eu escrevi "principalmente a partir do Renascimento" e não exclusivamente a partir daí. Isso porque encontramos o Auto-Retrato (ou versões similares) em períodos anteriores ao Renascimento... beeeeeeeem anteriores.

Desde a Pré-História, homens e mulheres colocavam suas mãos sobre as paredes das cavernas e sopravam sobre elas pós coloridos e pigmentos à base de gordura e sangue animal. A real função de pinturas desse tipo ainda é bastante discutida pelos estudiosos, mas podemos afirmar com certeza que a noção de "auto-imagem", a partir desse momento, estava firmada para sempre.

Depois disso, no Egito Antigo, o artista Ni-Ankh-Ptah teria deixado sua fisionomia gravada num monumento projetado por ele. Na Grécia Clássica, o escultor grego Fídias - no século V a.C. - deixou sua imagem registrada numa das esculturas do Partenon, em Atenas. Esses são dois exemplos ilustrativos, pois há outros casos no decorrer da Antigüidade e da Idade Média.

Voltando ao Renascimento, Albert Dürer foi o primeiro artista desse período a pintar Auto-Retratos. A partir daí, os artistas passam a produzir esse tipo de pintura com freqüência cada vez maior, chegando - durante o século XVII - à obsessão de Rembrandt, que pintou quase uma centena deles. Elisabeth Vigée Le Brun (a pintora preferida de Maria Antonieta), entre os séculos XVIII e XIX, produziu também uma quantidade considerável de Auto-Retratos.

Mais recentemente, no século XX, dificilmente encontra-se um artista, renomado ou não, que não tenha procurado produzir o seu. No momento, o Auto-Retrato continua sendo um gênero recorrente na produção de artistas contemporâneos. Vale a pena buscar na Internet por esses artistas e conferir o que eles estão produzindo dentro dessa temática.

Curiosidade: na pintura brasileira, Eliseu Visconti (autor da obra no topo desse texto, datada de 1938) certamente foi um dos artistas que mais se auto-retrataram. Calcula-se que ele tenha executado cerca de quarenta Auto-Retratos, representativos das diversas fases de sua carreira artística.

Abaixo, selecionei alguns exemplos de Auto-Retratos que acho bastante significativos. A escolha dessas imagens, dentro de tantas opções disponíveis, seguiu dois critérios principais: a) estão nessa lista imagens das quais gosto bastante; b) procurei "ilustrar" o texto com trabalhos de alguns artistas citados nele.

Além disso, quis também oferecer uma certa "variação" no que diz respeito aos pintores. Com exceção de Van Gogh e Picasso (que já tinham aparecido com trabalhos em "Natureza-Morta") os outros artistas são "novinhos em folha"! :^)

Espero que vocês gostem!

Um abração a todos!

Mão em Negativo - Peche Merle - França (Período Paleolítico)


Albert Dürer (1500)


Rafael Sanzio (1506)


Leonardo da Vinci (1515)


Rembrandt Van Rijn (1629)


Peter Paul Rubens (1638)


Elisabeth Vigée Le Brun (1782)


Eugène Delacroix (c. 1837)


Vincent Van Gogh (1888)


Paul Gauguin (1893)


Pablo Picasso (1907)


Amedeo Modigliani (1919)


Anita Malfatti (1922)


Tarsila do Amaral (1923)


M. C. Escher (1935)


Frida Kahlo (1940)


Salvador Dali (1941)


Andy Warhol (1967)

domingo, 23 de setembro de 2007

Women In Art

Olá, pessoal!

Como a maioria dos temas dos meus últimos posts andou rondando as Artes Plásticas, resolvi continuar no clima e postar um vídeo que "pesquei" no YouTube e que, particularmente, acho fantástico!

Produzido por um usuário que usa o codinome eggman913 (na verdade, o nome dele é Phillip e ele mora em St. Louis, nos Estados Unidos) e com o título "Women In Art", esse vídeo mostra uma série de retratos femininos numa sucessão de imagens da segunda metade do século XII até o século XX.

Leonardo da Vinci, Rafael, Botticelli, Dürer, Rubens, Manet, Renoir, Gauguin, Matisse, Magritte e Picasso são alguns dos artistas responsáveis por essas imagens. Puro deleite da Arte Ocidental!

Acho que expliquei demais... vejam o vídeo, curtam e comentem!

Abração a todos!

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Gêneros de Pintura: Natureza-Morta

Olá, pessoal!

Já faz um tempinho que eu estou pensando em postar algumas coisas mais "didáticas" por aqui. Afinal, eu sou Arte-Educador e essa seria uma forma excelente de passar alguns conhecimentos adiante!

Resolvi começar por "Gêneros de Pintura", por ser um dos meus assuntos preferidos dentro do campo das Artes Plásticas. Entenda-se por "Gênero de Pintura" os temas que os artistas escolhem para desenvolver seus trabalhos. De maneira geral, podemos dividir os Gêneros de Pintura em oito categorias:

- Paisagem (Natural e Urbana)
- Marinha
- Retrato
- Auto-Retrato
- Pintura Sacra ou Religiosa
- Pintura de Gênero
- Natureza-Morta
- Pintura Histórica e Mitológica
- Abstração

Vamos iniciar por "Natureza-Morta", que eu, pessoalmente, acho um tema bem interessante, mais pela sua trajetória do que pelo apelo estético, pra ser sincero. Este tema, na sua maioria quase que absoluta, mostra objetos inanimados e uma certa "imobilidade" bem característica.

Geralmente, os artistas que pintam Naturezas-Mortas não estão muito preocupados em contar uma história ou expressar uma idéia. Na verdade, eles estão mais interessados nos próprios objetos representados - sua cor, texturas, volumes, superfícies e a relação entre esses objetos. Essa característica era própria da Natureza-Morta desde a sua origem, mas o propósito desse gênero sofreu algumas alterações no decorrer da História (veremos alguns exemplos mais adiante).

Você vai encontrar em alguns textos que a Natureza-Morta "tomou fôlego" a partir do Barroco (derivando das pinturas que representavam cenas religiosas em cozinhas populares), mas vale lembrar que elas já eram pintadas com freqüência na Antiguidade Clássica (Grécia e Roma), desaparecendo um pouco "do cenário" durante a Idade Média. No Renascimento, porém, com a retomada da Arte Clássica, temos o ressurgimento desse tipo de pintura.

No século XVII a Natureza-Morta era considerada inferior em relação às pinturas históricas, mitológicas e religiosas, tendo, inclusive, um preço bem menor no mercado. Nessa época, com destaque à Espanha, o gênero foi largamente usado como forma de mostrar a destreza técnica naturalista do artista e abriu uma possibilidade aos pintores espanhóis (aqueles que não eram mantidos pela realeza) de encontrar seu público consumidor. Curiosidade: a Natureza-Morta, na Espanha, é chamada de "Bodegones".

Um século depois, ainda na Espanha, a Natureza-Morta servia como registro das condições sociais e do status de sua clientela (classe alta e média). Por essas pinturas podemos saber, por exemplo, que a carne de caça, de porco, o peixe fresco e o seco eram iguarias apreciadas por distintas classes sociais da província de Madri. Já na Holanda - com a expansão do Protestantismo, a Natureza-Morta serviu como pretexto para um distanciamento efetivo dos temas religiosos e da Igreja Católica, apresentando o cotidiano burguês.

No final do século XIX e início do século XX, em meio às Vanguardas Européias, a Natureza-Morta voltou a ser vista como em sua origem: um gênero “sem tema”. Era uma pintura apropriada para as pesquisas plásticas dos artistas (de composição, cor, texturas, luz e sombra), bem mais "impessoal" que os Retratos e Auto-Retratos, lógico!

O que podemos encontrar numa pintura de Natureza-Morta? Na verdade, uma infinidade de coisas, mas vamos destacar: frutas, flores (em arranjos ou vasos), peixes em bandejas, aves de caça coloridas, vasilhas, copos, tapetes, livros, jarras, cachimbos... enfim, há uma quantidade enorme de objetos adequados para a Natureza-Morta.

A seguir, eu escolhi algumas Naturezas-Mortas de períodos e artistas diversos. Eu acho bacana destacar que esse tema não precisa necessariamente estar associado à pintura "acadêmica" e naturalista. Artistas como Picasso, Cézanne e Lichtenstein estão na lista para mostrar que correntes mais modernas também exploram a Natureza-Morta, com resultados surpreendentes!

Abração a todos!

Caravaggio - "Natureza-Morta com Frutas" (1605)


Giovanna Garzoni - "Prato com Cerejas" (c. 1700)


Claude Monet - "Natureza-Morta com Pêras e Uvas" (1880)


Vincent Van Gogh - "Girassóis" (1889)


Paul Cézanne - "Natureza-Morta com Maçãs e Laranjas" (1905)


Giorgio Morandi - "Natureza-Morta" (1939)


Alfredo Volpi - "Natureza-Morta" (s.d.)


Pablo Picasso - "Natureza-Morta com Crânio e Jarro" (1945)


Henri Matisse - "Natureza-Morta com Romãs" (1950)


Roy Lichtenstein - "Natureza-Morta Cubista" (1974)

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Rob Gonsalves

Olá, pessoal!

Não, eu não errei a grafia do sobrenome do artista... É "Gonsalves" mesmo, com "s". E essa é a primeira particularidade desse canadense, nascido em Toronto, em 1959.

As outras particularidades estão presentes no seu incrível trabalho, que os críticos de arte convencionaram chamar de "Realismo Mágico". Na verdade, Gonsalves foi buscar referências nas obras de Escher, Magritte e - li na internet e gostei pra caramba da relação criada - Salvador Dali, que entra como um "tempero adicional", criando um mundo onde nada é o que aparenta ser à primeira vista.

No trabalho de Gonsalves, dois mundos completamente diferentes se chocam, ao mesmo tempo em que se fundem, fazendo com que os espectador pergunte: "O que está, afinal, acontecendo aqui?"

Mas esse palavreado todo não define o trabalho de Rob Gonsalves: veja as imagens abaixo e tire você mesmo as suas conclusões. É legal "perder" alguns minutinhos olhando cada trabalho, pois as descobertas são fantásticas!

Abração a todos!