
Olá, pessoal!
Continuando a falar sobre Gêneros de Pintura (depois de Natureza-Morta), hoje vamos ver um pouquinho da trajetória do Auto-Retrato, um dos meus gêneros preferidos.
Numa explicação bem objetiva, Auto-Retrato é uma forma de pintura onde o modelo retratado é o próprio artista. E é um gênero bastante difundido no campo das Artes Plásticas.
Talvez porque o ser humano sempre foi "chegado" em retratar a sua própria imagem. Principalmente a partir do Renascimento, quando o Homem passa a ser o "Centro do Universo", momento em que os artistas utilizam o Retrato (que veremos em breve) para o registro de pessoas e famílias nobres e burguesas e o Auto-Retrato, que servia, entre outras coisas, para deixar a própria imagem do artista eternizada, além de expressar o que sentiam, suas emoções e pensamentos.
Mas, reparem que eu escrevi "principalmente a partir do Renascimento" e não exclusivamente a partir daí. Isso porque encontramos o Auto-Retrato (ou versões similares) em períodos anteriores ao Renascimento... beeeeeeeem anteriores.
Desde a Pré-História, homens e mulheres colocavam suas mãos sobre as paredes das cavernas e sopravam sobre elas pós coloridos e pigmentos à base de gordura e sangue animal. A real função de pinturas desse tipo ainda é bastante discutida pelos estudiosos, mas podemos afirmar com certeza que a noção de "auto-imagem", a partir desse momento, estava firmada para sempre.
Depois disso, no Egito Antigo, o artista Ni-Ankh-Ptah teria deixado sua fisionomia gravada num monumento projetado por ele. Na Grécia Clássica, o escultor grego Fídias - no século V a.C. - deixou sua imagem registrada numa das esculturas do Partenon, em Atenas. Esses são dois exemplos ilustrativos, pois há outros casos no decorrer da Antigüidade e da Idade Média.
Voltando ao Renascimento, Albert Dürer foi o primeiro artista desse período a pintar Auto-Retratos. A partir daí, os artistas passam a produzir esse tipo de pintura com freqüência cada vez maior, chegando - durante o século XVII - à obsessão de Rembrandt, que pintou quase uma centena deles. Elisabeth Vigée Le Brun (a pintora preferida de Maria Antonieta), entre os séculos XVIII e XIX, produziu também uma quantidade considerável de Auto-Retratos.
Mais recentemente, no século XX, dificilmente encontra-se um artista, renomado ou não, que não tenha procurado produzir o seu. No momento, o Auto-Retrato continua sendo um gênero recorrente na produção de artistas contemporâneos. Vale a pena buscar na Internet por esses artistas e conferir o que eles estão produzindo dentro dessa temática.
Curiosidade: na pintura brasileira, Eliseu Visconti (autor da obra no topo desse texto, datada de 1938) certamente foi um dos artistas que mais se auto-retrataram. Calcula-se que ele tenha executado cerca de quarenta Auto-Retratos, representativos das diversas fases de sua carreira artística.
Abaixo, selecionei alguns exemplos de Auto-Retratos que acho bastante significativos. A escolha dessas imagens, dentro de tantas opções disponíveis, seguiu dois critérios principais: a) estão nessa lista imagens das quais gosto bastante; b) procurei "ilustrar" o texto com trabalhos de alguns artistas citados nele.
Além disso, quis também oferecer uma certa "variação" no que diz respeito aos pintores. Com exceção de Van Gogh e Picasso (que já tinham aparecido com trabalhos em "Natureza-Morta") os outros artistas são "novinhos em folha"! :^)
Espero que vocês gostem!
Um abração a todos!


















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